Como a autocobrança excessiva afeta os profissionais?
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12 de maio de 2020 | 8 min de leitura
Saúde Mental

Como a autocobrança excessiva afeta os profissionais?

A autocobrança excessiva é um problema com o qual muitos profissionais precisam lidar ao longo da carreira. A sensação é de que você não dá conta do recado e não é bom o suficiente.

Dessa forma, passa a acreditar que todos ao seu redor no ambiente de trabalho são melhores do que você. Mesmo depois de fazer inúmeras especializações e muita dedicação, o sentimento de inferioridade continua dominando os seus dias.

É dessa forma que uma pessoa que se cobra muito se sente. A autocobrança excessiva afeta o bem-estar psicológico e a performance na carreira, afinal, você deixa de acreditar em si mesmo. Além disso, eleva os níveis de estresse e ansiedade, que também são responsáveis por afetar o desempenho profissional.

A autocobrança excessiva é uma questão muito íntima, ou seja, que vem de dentro. A pessoa precisa voltar a confiar em seu próprio potencial e parar de se autossabotar.

Neste artigo, você aprenderá a identificar e solucionar este problema, além de entender o papel das empresas neste contexto. Continue a leitura para entender mais sobre o assunto!

Qual a relação entre autocobrança excessiva e síndrome do impostor?

A síndrome do impostor está diretamente relacionada à autocobrança excessiva. Trata-se da sensação de que você não é merecedor do seu sucesso.

Portanto, você tem medo de que tudo o que conquistou não seja de fato fruto do seu trabalho e as pessoas descubram que é um impostor. Trata-se de uma crença interior de que você não é bom o suficiente ou não pertence a determinado lugar. 

Michelle Obama, esposa do ex-presidente americano Barack Obama, já fez alguns discursos revelando como e por que sofreu da síndrome do impostor ao longo da sua vida:

“Entrar em uma faculdade de elite, quando o seu orientador vocacional no colégio disse que você não era boa o suficiente, quando a sociedade vê crianças negras ou de comunidades rurais como ‘não pertencentes’… Eu, e muitas outras crianças como eu, entramos ali carregando um estigma. Hoje em dia, crianças mais jovens chamam isso de Síndrome de Impostor. Sentem que não cabem ali, não pertencem. Eu tive de trabalhar duro para superar aquela pergunta que (ainda) faço a mim mesma: ‘eu sou boa o suficiente?’. É uma pergunta que me persegue por grande parte da minha vida. Estou à altura disso tudo? Estou à altura de ser a primeira-dama dos Estados Unidos?”

Fica claro, portanto, que mesmo após suas conquistas a pessoa continua se questionando se é boa, se pertence àquele lugar ou se, na verdade, é tudo uma fraude. 

É importante ressaltar também que a síndrome do impostor pode vir acompanhada de ansiedade e depressão. Estas doenças são, muitas vezes, silenciosas e a pessoa tenta escondê-las para que ninguém descubra sobre as dúvidas que ela tem sobre si mesma. Afinal, ser descoberto é o pior dos pesadelos para quem acredita que é um impostor.

Quem é mais afetado pela síndrome do impostor?

Apesar de qualquer pessoa ter chances de desenvolver a síndrome, vale pontuar que alguns grupos têm maior probabilidade. Além disso, há fatores relacionados à educação, convivência e sociedade. Isso quer dizer que pessoas que viveram em um ambiente familiar com muitas cobranças por resultados podem estar mais suscetíveis a desenvolver o problema. Ao mesmo tempo, pressões sociais de colegas e amigos também podem ser um fator perigoso.

Um estudo da Universidade Dominicana da Califórnia, conduzido pela psicóloga Gail Matthews, aponta que a síndrome do impostor afeta 70% das pessoas que são bem-sucedidas.

Mas não se engane ao pensar que  a síndrome do impostor afeta apenas indivíduos no âmbito profissional. Pesquisadores da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, fizeram um estudo com cerca de 20 alunos de contabilidade. As perguntas sobre o curso e experiências pessoais revelaram que um em cada cinco alunos já se sentiram impostores em seus cursos. 

Além dos estudantes, as mulheres também são mais afetadas pela autocobrança excessiva e a síndrome do impostor. Um estudo realizado pelo LinkedIn apontou que as mulheres têm propensão 20% menor do que um homem se candidatar para uma vaga. Além disso, os homens se candidatam para uma oportunidade de emprego quando preenchem em torno de 60% das qualificações. Por outro lado, as mulheres buscam preencher 100% para se candidatarem. Viu só a diferença? 

Neste caso, a síndrome do impostor causada por um problema enraizado na sociedade, afinal, por muitos anos as mulheres ocuparam uma posição de fragilidade e inferioridade em relação ao homens. Dessa forma, é mais comum que sintam que não são boas o suficiente e estão mais propensas à autossabotagem. Ainda mais quando se deparam com dados que apontam a desigualdade entre homens e mulheres dentro das empresas.

Como identificar a autocobrança excessiva no ambiente de trabalho?

Muitas pessoas não enxergam que a autocobrança excessiva e a síndrome do impostor são questões sérias. Isso porque realmente acreditam que não são bons o suficiente e que não merecem estar onde estão. Esta mentira, criada pelo interior de cada um, acaba se tornando uma verdade.

Para se prevenir e ter um olhar sempre atento, é importante saber identificar a autocobrança excessiva. Afinal, o que sinaliza que algo não vai bem? Como saber que você ou alguém está sofrendo deste mal?

No ambiente de trabalho é importante ter um olhar atento em relação aos colaboradores, pois é uma questão que afeta boa parte dos profissionais. Confira, em seguida, algumas dicas que ajudam na identificação do problema!

Necessidade de assumir muitas tarefas ao mesmo tempo

As pessoas que se cobram demais sentem a necessidade de se provar o tempo todo. Isso quer dizer que costumam trabalhar muito, mas não se engane ao achar que é uma atitude boa. Na verdade, assumem muitas atividades ao mesmo tempo para tentarem provar para si mesmas e para os outros como são importantes e úteis para a empresa.

No fundo, este tipo de comportamento é nocivo, pois ao se dedicar excessivamente a diversas tarefas, a pessoa pode acabar entrando em um looping muito intenso e exaustivo de trabalho.

Níveis muito altos de estresse e ansiedade

A síndrome do impostor abala a autoconfiança da pessoa, ou seja, o tempo todo ela duvida de si mesma. Isso faz com que se sinta insegura e os níveis de ansiedade e estresse se elevem.

As consequências, por sua vez, não são nada boas. A pessoa pode se tornar menos produtiva no trabalho  e ainda por cima desencadear em burnout ou depressão. Ambos são problemas graves que podem ocasionar no afastamento do profissional.

Excesso de falta de autoconfiança

É normal que algumas pessoas sejam mais inseguras do que outras, mas neste caso é preciso analisar se isto se tornou uma trava, ou seja, um problema mais grave.

Todos têm pontos fortes e fracos, mas se a insegurança se tornar a protagonista no dia a dia de trabalho pode significar que a síndrome do impostor está assumindo o controle.

Vale ressaltar que quem sofre com a síndrome também tem um medo constante em relação a “ser descoberto”. Afinal, se consideram impostores, ou seja, não merecedores e não competentes o suficiente.

Sentimento constante de inferioridade

Pessoas que sofrem com a autocobrança excessiva também vivem com o constante sentimento de que são inferiores. Não acreditam no próprio potencial e duvidam de suas competências. O tempo todo se questionam e se colocam em uma posição pior do que a realidade.

No dia a dia, portanto, têm dificuldade para receber elogios, pois acreditam que não os merecem. Assim como não acham que devem assumir cargos mais altos e maiores responsabilidades, pois têm medo do fracasso.

Como superar a autocobrança excessiva?

Agora que você já entendeu os efeitos da autocobrança excessiva e aprendeu como identificá-la, chegou o momento de entender como superá-la. Como já falamos anteriormente, é importante ficar atento aos sinais, pois é  um problema capaz de afetar o desenvolvimento pessoal e profissional.

A boa notícia é que existem várias maneiras de trabalhar a síndrome do impostor e a autocobrança que vem junto com ela. Confira algumas dicas!

Evite comparações excessivas

Boa parte da autocobrança existe porque temos a mania de nos compararmos com as pessoas ao nosso redor. O problema é que nos blindamos de tal forma que só enxergarmos o lado bom e bonito do outro e utilizamos isso para nos inferiorizarmos. 

É muito comum, portanto, se colocar para baixo porque você vê uma foto no Instagram do seu colega ou se compara quando o outro recebe uma promoção. Tal comparação é extremamente nociva e faz com que você sempre se inferiorize.

A dica aqui é substituir a comparação por inspiração, que é saudável e te impulsiona a ser uma pessoa ainda melhor. Você foca no que os outros têm de bom e usa isso para evoluir também.

Encontre e valorize seus pontos fortes

Ao evitar se comparar com os outros, vale fazer um exercício interno e estruturar uma comparação com você mesmo. Tire um tempinho para analisar quem você era anos atrás e quem é hoje, pontuando tudo o que conquistou, desenvolveu e melhorou.

Dessa forma, ao fazer uma autoanálise, você irá identificar seus pontos fortes e passará a valorizá-los ainda mais.

Lembre-se sempre de que nenhum ser humano está livre de imperfeições, mas que todos podem crescer. Você, assim como todos as outras pessoas, tem qualidades que devem ser exaltadas e pontos a desenvolver.

Celebre as suas conquistas

Quem sofre da síndrome do impostor acredita que nunca faz nada bem o suficiente e, por isso, está sempre se colocando para baixo. Que tal mudar esta postura e passar a celebrar mais suas vitórias e conquistas? Podem ser coisas pequenas no dia a dia, como aprender a automatizar uma planilha no Excel ou um aumento de salário.

Cada pequeno passo que você dá deve ser destacado. Não deixe passar em branco e reforce como você é bom e merece estar no lugar que ocupa hoje.

Descubra e fortaleça suas habilidades

Sabe aquele discurso: “Ah, mas não sou bom em nada”? Isso não pode mais existir na sua vida, afinal, todo mundo manda bem em alguma coisa. Ao descobrir e fortalecer as suas habilidades você encontrará atividades e funções nas quais é competente e tem prazer em exercer.

Vivenciar um profundo processo de autoconhecimento é muito importante para entender mais sobre você, o que gosta de fazer e no que é bom. Para isso, você pode buscar auxílio de profissionais especializados, como um coaching, por exemplo.

Aprenda a lidar com a sua vulnerabilidade

Há momentos da vida em que você vai se sentir mais fragilizado e desprotegido, mas não pode permitir que isso te coloque em uma posição inferior. Todo mundo convive com dificuldades e imperfeições, aceite isto. Não há razão para ter vergonha ou se sentir fraco, afinal, a vida é feita de altos e baixos.

Nos momentos em que se sentir mais vulnerável, faça disto a sua força. Ter a coragem de assumir para si mesmo e para os outros que está fragilizado não é sinal de fraqueza. Além disso, é nas horas difíceis que nos tornamos mais fortes.

Converse com um psicólogo

A psicoterapia é uma maneira incrível e eficaz de combater a autocobrança excessiva e a síndrome do impostor. A ajuda de um profissional especializado pode ser essencial para superar este ciclo de insegurança, medo e ansiedade. 

Um psicólogo exerce uma escuta qualificada, portanto, é capaz de ouvir sem julgar ou dar conselhos baseados em opiniões. A escuta é inteligente e embasada e ajudará a trabalhar as suas dores da melhor maneira, respeitando a sua individualidade. Você tomará mais consciência de si, suas ações e sentimentos.

Qual é o papel das empresas?

Além de ficar atenta a todos os sinais que listamos neste artigo, o que mais as empresas podem fazer pelos seus profissionai? Como cuidar para que a autocobrança excessiva não se torne um grande problema?

Toda empresa pode e deve cuidar da saúde mental dos seus colaboradores. Como? Oferecendo a terapia como um benefício corporativo. Além de prevenir e tratar depressão, burnout e estresse, a terapia é uma ferramenta eficaz no desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas.

A melhor maneira de incluir a terapia no seu pacote de benefícios corporativos é contando com a Vittude Corporate.

Trata-se de um benefício corporativo que ajuda empresas a cuidarem da saúde mental dos seus colaboradores! Por meio de um investimento fixo mensal, por colaborador, sua empresa oferece ao time um subsídio parcial ou integral para sessões de psicoterapia, com psicólogos Vittude. 

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Por Bruna Cosenza

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